Instituto Cultural de Ponta Delgada

SOBRE O ICPD Historial

Historial Insígnia Autonómica de Mérito Cívico

 

O Instituto Cultural de Ponta Delgada nasceu no final do ano de 1943, pela vontade de um grupo de intelectuais das ilhas de São Miguel e Santa Maria, que, sob os auspícios das autoridades políticas e administrativas do então distrito de Ponta Delgada, se reuniram no Governo Civil – no dia 30 de Novembro de 1943 – e nomearam uma comissão para elaborar os estatutos, que foram aprovados pelo governador civil, por alvará de 4 de Dezembro de 1943. A 18 desse mês foi eleita a sua primeira direção, composta por Humberto de Bettencourt de Medeiros e Câmara (presidente), Rodrigo Rodrigues (tesoureiro), Francisco Carreiro da Costa (secretário), José Bruno Tavares Carreiro e Armando Côrtes-Rodrigues (vogais).

Os sócios fundadores foram: Humberto de Bettencourt Medeiros e Câmara, Rodrigo Rodrigues, Lúcio Agnelo Casimiro, Armando Côrtes-Rodrigues, Francisco Carreiro da Costa, Alice Moderno, Maria das Mercês do Canto Cardoso, João de Simas, Maria Amélia Rebelo Arruda, João Cândido Teixeira, Francisco de Bettencourt de Medeiros e Câmara, José Jacinto Rocha do Couto, Augusto Botelho de Simas, Jeremias da Costa, João Bernardo de Oliveira Rodrigues, José Maria Camilo de Melo, Félix Sotto-Mayor, padre José Gomes, padre José Raposo Pombeiro de Meneses, Martim Machado de Faria e Maia, Rui Galvão de Carvalho, Teotónio da Silveira Moniz, João da Silva Júnior, Fernando Raposo de Medeiros, Hermano de Mendonça Dias, Luís Bernardo Leite de Ataíde, Maria Luísa Soares de Albergaria, padre Serafim de Chaves, Manuel Monteiro Velho Arruda, José Bruno Tavares Carreiro, Alberto Paula de Oliveira, Carlos Carreiro, António Câmara, Francisco de Ataíde Machado de Faria e Maia, António Gaspar Read Henriques, Aníbal Cymbron Barbosa, Diogo Ivens Tavares, Aníbal de Bettencourt Barbosa Bicudo e Castro, Rolando de Viveiros, Artur Morais de Bettencourt, João Hickling Anglin, Maria Isabel da Câmara Quental, António da Silveira Vicente, José de Medeiros Tavares, Francisco Pacheco de Castro, António de Medeiros Franco, Urbano de Mendonça Dias, padre José Jacinto Botelho, Manuel da Silva Carreiro, António de Alcântara de Mendonça Dias e Armando Cândido de Medeiros.

As razões para a criação do Instituto Cultural e os seus objetivos seriam apresentadas pelo seu presidente no primeiro número da Insulana (1944), revista de cultura açoriana e boletim do instituto: “Impunha-se à tradição literária da ilha de S. Miguel, mantida através de todos os tempos, a organização de uma sociedade que congregasse todos os trabalhadores do espírito e lhes criasse, com o aparecimento de uma revista nossa, o estímulo de mais trabalho, arquivando e divulgando produções que poderiam ficar ignoradas ou esquecidas, e abrindo, pela possibilidade de publicação, um novo interesse às investigações históricas, etnográficas, científicas, artísticas e literárias, defendendo e valorizando o nosso património tradicional”.

O Instituto Cultural tem mostrado ao longo da sua história um grande empenhamento no contacto com personalidades e instituições nacionais e estrangeiras com atividade cultural, não só com a intenção de divulgar as suas obras, mas, sobretudo, com o objetivo de divulgar a cultura açoriana. Foi notória a inteligente utilização de todo esse potencial pelas instituições políticas e administrativas do então distrito de Ponta Delgada, que usavam o Instituto como uma autêntica "direção distrital da cultura". Desta forma eram os recursos financeiros utilizados numa verdadeira ação cultural que ia muito para além das fronteiras do distrito e mesmo do arquipélago, prestigiando os Açores e levando essa dinâmica às terras longínquas do Brasil e da América do Norte, onde se encontram comunidades de imigrantes açoriano e seus descendentes.

Graças ao financiamento da Junta Geral do Distrito de Ponta Delgada e, a partir de 1976, aos subsídios do Governo Regional dos Açores, bem como ao trabalho generoso das suas direções e de alguns dos seus sócios, o Instituto Cultural editou, ao longo dos anos, numerosas obras de autores açorianos, algumas de grande valia para o conhecimento da história dos Açores. Não podendo enumerar todas, referimos algumas das mais importantes: As Saudades da Terra, de Gaspar Frutuoso; Crónicas da Província de S. João Evangelista das Ilhas dos Açores, de Agostinho de Monte Alverne; Margarida Animada, de Francisco Afonso de Chaves e Melo; Antero de Quental: subsídios para a sua biografia, de José Bruno Tavares Carreiro; Colecção de Documentos relativos ao descobrimento e povoamento dos Açores, de Manuel Monteiro Velho Arruda; Um Inverno nos Açores e um Verão no vale das Furnas, de Joseph e Henry Bullar, tradução de João Anglin; Os Capitães dos Donatários e Os Capitães Generais, de Francisco de Athayde Machado de Faria e Maia; Romanceiro popular açoriano, de Armando Côrtes-Rodrigues; Escavações, de Francisco Maria Supico; Instituições vinculares e notas genealógicas, de João de Arruda Botelho e Câmara; Era uma vez o Tempo, de Fernando Aires (1.º e 2.º volumes); S. Miguel no século XVIII: casa, elites e poder, de José Damião Rodrigues; Pêro Annes do Canto, de Rute Dias Gregório; Cartas de Cecília Meireles a Armando Côrtes-Rodrigues, de Cecília Meireles, organizadas por Celestino Sachet; Cartas particulares de José do Canto a José Jácome Correia, pelo marquês de Jácome Correia; Viver e morrer religiosamente, ilha de S. Miguel, século XVIII, de Susana Goulart Costa; Teatro popular em S. Miguel: seus temas e formas, de Maria do Bom Sucesso Medeiros Franco; a Obra científica e a Correspondência científica,de Francisco Arruda Furtado, organizadas por Luís M. Arruda; Thomas Hickling, subsídios para uma biografia, de Henrique de Aguiar Oliveira Rodirgues; ou, mais recentemente, Manuel António de Vasconcelos: pioneiro da arquitectura modernista, de Cristina Coelho.

Para além de Humberto Bettencourt de Medeiros e Câmara, foram Presidentes da Direção do Instituto Cultural João Hickling Anglin, Aníbal Cymbron Bettencourt Barbosa, João Bernardo de Oliveira Rodrigues, José de Almeida Pavão Júnior e José Paim de Bruges da Silveira Estrela Rego, sendo o cargo presentemente exercido por Henrique de Aguiar Oliveira Rodrigues.

O Instituto Cultural tem hoje sede na casa que foi de Armando Côrtes-Rodrigues – ilustre poeta, dramaturgo e etnólogo de origem micaelense, que foi um dos seus fundadores e seu primeiro secretário –, depois de durante largos anos ter ocupado o torreão poente do extinto Convento de Santo André, edifício que partilhava com o Museu Carlos Machado.

A 4 de Dezembro de 2003, a Câmara Municipal de Ponta Delgada homenageou o Instituto Cultural, galardoando-o com a Medalha de Mérito Municipal. A 23 de Setembro de 2005, o Presidente do Governo Regional dos Açores, Carlos Manuel Martins do Vale César, declarou o Instituto Cultural como entidade de Utilidade Pública. Em Maio de 2007 a Assembleia Legislativa Regional dos Açores distinguiu o Instituto Cultural com a Insígnia Autonómica de Mérito Cívico.

Fechar